terça-feira, 18 de novembro de 2014

Luiz Millan no Tons do Brasil

Shirley Espíndola recebe Luiz Millan no Tons do Brasil da rádio Difusora Pan Sat


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Luiz Millan homenageia sua cidade no CD ‘O dia em que São Paulo floresceu’

Álbum tem destaques da cena musical brasileira como Léa Freire, Michel Freidenson, Maurício Detoni, Raul de Souza, Teco Cardoso e Sylvinho Mazzucca, dentre outros. 

Se é verdade que todo compositor tem que cantar sua cidade, o paulistano Luiz Millan cumpre sua parte com o lançamento do seu segundo CD O dia em que São Paulo floresceu (www.tratore.com.br). São 13 canções com parceiros e temas diversos, e participações de Maurício Detoni (voz), Michel Freidenson (piano e arranjos), Léa Freire (flautas), Teco Cardoso (flautas e sax), Mané Silveira (sax e flauta), Raul de Souza (trombone), Adriana Holtz (violoncello), Jorge Pinheiro (violão), Plínio Cutait (piano e acordeon), Alex Duarte (bateria), Lucas Brogiolo (percussão) e Sylvinho Mazzucca (baixo).
Millan comenta o trabalho: “O título é uma homenagem a essa cidade em que nasci e onde sempre morei. Apesar de todos os problemas que tem, é fascinante, rica culturalmente e acolhe todas as tendências não só da música, mas da arte em geral. Daí a idéia de apresentar ritmos tão variados. É a cara de São Paulo. Ela floresce diariamente e não nos damos conta disso. Quero chamar a atenção para esse aspecto. É minha parte nessa contribuição”.




Luiz Millan lançou seu primeiro CD, Entre Nuvens, em 2011, mas pode ser considerado um ‘veterano’.  Formado em medicina com especialização em psiquiatria, profissão que exerce desde 1982, nunca abandonou a música, que entrou em sua vida  ainda criança, através do pai que gostava de Dorival Caymmi e dos primeiros nomes da bossa-nova. Estudou piano, passou para o violão e, um pouco mais tarde começou a compor, quando descobriu que aquilo podia ser também sua terapia. Em 1980 chegou a gravar um LP coletivo, com colegas da USP, chamado Ponta de Rama. Apesar de não ter mostrado as músicas ao público, continuou compondo e já perdeu a conta de quantas canções. Millan acha que a sigla MPB engloba muitos estilos e que é bem apropriada para definir o que faz: “A gente vai ouvindo, ouvindo, e incorpora essa tradição musical, que é tão rica, de uma forma totalmente natural”. 

Luiz Millan em entrevista nos estúdios da Radio Difusora Jundiaí

O processo de composição desse álbum variou: “Escrevi letra para música já feita, musiquei letras, um parceiro fez  um texto para uma música minha. As parcerias foram feitas à distância ou ao vivo, cada um contribuindo com a sua idéia. Muitas melodias surgiram espontaneamente, mesmo quando eu estava longe dos instrumentos. Escrever letras é trabalhoso. Não procuro a rima, mas a palavra com sonoridade bonita que transmita o que tenho em mente”. 
Os arranjos feitos pelo pianista Michel Freidenson acompanharam a concepção de Millan ao transitar entre o complexo diálogo de vários instrumentos e a delicadeza do encontro de piano e voz. Essa voz, que no primeiro CD coube a vários intérpretes, na maioria mulheres, dessa vez foi entregue ao cantor Maurício Detoni. 
As músicas têm títulos como Nada sei do meu desejo, Melodia de Mulher e Correio Ligeirinho. Beleza Inigualada, música de Millan e Jorge Pinheiro sob poema do norte-americano Edgar Alan Poe (1809-1849) tem uma história curiosa: “Ainda cursava medicina quando, em uma viagem, Jorge encantado pelo poema fez de imediato uma linda melodia para a primeira parte, mas na segunda emperrou... Era um lugar com muita gente e Jorge chamou-me num canto e pediu que eu fizesse a segunda parte e, mais uma vez, a música saiu na hora! Essas coisas são assim, não têm explicação. Acho que Poe nos deu uma mãozinha... Essa música representa a cidade de São Paulo, sempre aberta à arte de qualquer lugar do mundo”, finaliza Millan.




 Artista Luiz Millan – CD O dia em que São Paulo floresceu Preço R$ 27,00
Distribuição Tratore - www.tratore.com.br | ( (11) 3085 1246

Shirley Espíndola recebe Alvaro Petersen nos estúdios da Radio Difusora Pan Sat

Shirley Espíndola entrevista  Alvaro Petersen


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Álvaro Petersen lança CD ‘Sibipiruna’
Gravado no Brasil, França e Bélgica, álbum tem participação de brasileiros como Bocato, Jean Trad e Edmundo Carneiro e, de fora,  Sebastian Motz e Valerie Minsi
 Sibipiruna é uma planta muito comum em cidades paulistas. Nativa da mata atlântica fornece  sombra fresca e floração exuberante, com sua cor amarelo vivo. O nome foi escolhido para intitular o primeiro CD do cantor e compositor paulista Álvaro Petersen, que, a partir da planta criou uma letra de cenário surreal, várias sibipirunas brotando na areia de uma praia. “Gosto de criar situações que só poderiam existir na arte. Por isso uma dos versos diz: “Sibipiruna é uma flor/ Da árvore da minha terra/ Minha casa mora em frente dela”.


Shirley Espíndola e Alvaro Petersen

Apesar de só agora estar lançando o primeiro disco, a batalha de Álvaro na música remonta ao final dos anos 1970, quando ele, ainda adolescente, em Ribeirão Preto, sua cidade natal, fazia parte da turma que tinha também o músico Kiko Zambianchi e o cartunista Glauco (1957-2010). Apesar de não ter parado de compor, se envolveu com outras formas de arte. Por exemplo, era um dos manipuladores de bonecos da série Castelo Ra-tim-bum (1994-1997) da TV Cultura. Teve músicas suas gravadas por Bebeto, Vera Negri e grupo Heartbreakers e parceiros como a cantora Fortuna e Paulo Leminski. Também participou de discos de Hélio Ziskind e Fernando Salém.
“Numa carreira de muitas vertentes de atuação, a música sempre foi minha base criativa e minha grande paixão. Compondo é como me expresso melhor. Este CD marca uma vontade e a coragem de mostrar um pouco dessa minha arte”, fala Álvaro, que estudou arquitetura e cenografia e também é professor universitário de direção de arte.


Entre suas influências, ele cita um caldeirão. Do grupo inglês The Who ao Clube da Esquina, passando por Secos & Molhados, bossa nova, o álbum Transa, de Caetano Veloso, discos de Beto Guedes, James Taylor, Led Zeppelin e Bola de Nieve. “Nos reuníamos numa praça em Ribeirão para trocar idéias, discos, impressões. Foi um tempo muito rico, de descobertas: o Brasil saia da ditadura militar, o movimento punk começava a trazer o ‘essencial’ da música, artistas partiam para lançamentos independentes, enfim, o início de um novo tempo", lembra  Álvaro.
O álbum, que foi gravado no Brasil, França e Bélgica, é produzido por Edmundo Carneiro, percussionista brasileiro radicado na França. Participam músicos como Bocato (trombone) e Jean Trad (guitarra), além da cantora Valerie Minsi (de Paris) e do pianista Sebastian Motz (Bruxelas).
Sempre muito suingado, o CD Sibipiruna traz uma mistura de funk, samba-rock, bossa, reggae e baião, tudo dirigido pelo violão de Álvaro. A poesia vai do lírico como em ‘Morena da praia/ Forma cachoeira/ teus cachos macios morenos/ E sendo um pirata/ Assaltar-te o corpo/ Roubar-te um beijo’ de ‘Morena da Praia’ a ironia de ‘Me dá sossego/ O coração lembrou/ Sonhei não teve jeito/ Saudade atormentou/ Não quero nem pensar/ Quero só te ver de novo/ Pra gente terminar’ de ‘Megera’, passando pela alegria de Fuzuê: ‘Esse cara que debandou/ Na gandaia/ Desatinado coração/ Vem lá do coração da gente/ E termina numa cama boa/ Abraçando esta pele tua/ Com a cabeça cheia de idéias/ E o coração cheio de amor’.


Álvaro Petersen – CD Sibipiruna – R$ 25,00 (em média)

Distribuição Tratore – www.tratore.com.br | ( (11) 3085 1246